Sombrio, sozinho, e parcialmente feliz com lembranças infelizes que me amorteciam com uma apática vida social tingida de azul, minha cor preferida, por tantas vezes significativa, por tantas vezes meu lar, minha alma, o céu que me deixava olhar para ele sem cobranças e me dava sonhos azuis e felizes, felicidade que deixei ser picotada em pequenos pedaços, e joguei ao chão para fazer uma trilha, para quem sabe, conseguir achar o caminho de volta pro meu coração, coração esse que deixou de bater como antes, com emoções que me chegavam a doer o peito e a consciência, agora bate no automático, como todos os outros milhares de seres humanos que eu julgava serem diferentes de mim, diferença essa que eles mesmos fizeram questão de ressaltar em mim. Hoje pela manhã acordei diferente, olhei para o céu cinza e apesar de nublado e de todos dizerem estar cinza, o vi azul, não um azul qualquer, mais aquele azul que sempre fui, e decidi correr e catar meus pedaços de felicidade espalhados por ai e tentar “construir-denovo” aquilo que a vida me fez destruir.
Vinicius Coelho de Almeida
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